Tipos de Liderança : Chefe, Gerente e Líder

No dia-a-dia das empresas observamos a liderança sendo exercida de muitas maneiras ou estilos diferentes. A teoria da liderança situacional explica que empresas com níveis de maturidade, ciclos de vida, tipos de indústria e desafios diferentes, necessitam de líderes que se adaptem a estes diferentes contextos. Sob esta perspectiva, o ambiente externo teria uma influência significativa sobre o comportamento do líder. Por outro lado, existem líderes que não mudam o seu estilo, independentemente da situação ou das pessoas envolvidas. Por que isso acontece?

Pesquisas tem mostrado que nosso comportamento é ditado por vários fatores – hereditariedade, condicionamento familiar e cultural, ciclo de vida, experiências marcantes, etc. Isto vale também para os líderes – o estilo de cada líder depende, em grande parte, da maneira como ele foi criado: do tipo de relação de autoridade que dominou seus primeiros anos de vida, das características das pessoas marcantes de sua vida, tanto das que apoiaram, quanto daquelas que limitaram o seu desenvolvimento, do tipo de perfil pessoal/personalidade e do tipo de apoio que ele recebeu em suas primeiras experiências de liderança.

Para compreender os diferentes estilos de liderança e como os líderes evoluem – quais os fatores que impedem ou facilitam o seu desenvolvimento – o consultor e escritor britânico Richard Barrett criou um modelo denominado Sete Níveis de Consciência da Liderança. Segundo ele, existem sete níveis ou estilos bem definidos de liderança, que correspondem aos estágios de evolução de uma organização – Sete Níveis de Consciência Organizacional. Cada nível ou estilo de liderança procura satisfazer as necessidades da organização em determinado nível de consciência. Os líderes que aprendem como satisfazer todas as necessidades de uma organização são chamados de líderes de espectro total, ou líderes completos. Nossa pesquisa mostra que esses são os líderes mais resilientes e de maior sucesso, pois têm habilidade para responder de forma apropriada a qualquer desafio interno da organização ou a qualquer ameaça externa. Os sete níveis de consciência da liderança são mostrados na tabela abaixo:

 Nível de Motivação  Foco da Liderança
 7. Servir  Sábio/Visionário: servir à humanidade e ao planeta
 6. Fazer a Diferença  Mentor/Parceiro: alianças estratégicas e parcerias, mentoring e coaching.
 5. Coesão Interna  Integrador/Inspirador: desenvolver uma forte cultura coesiva.
 4. Transformação  Facilitador/Influenciador: adaptabilidade, renovação e aprendizagem contínua.
 3. Autoestima  Gerente/Organizador: sistemas e processos de alto desempenho.
 2. Relacionamentos  Gerente de Relacionamento/Comunicador: relacionamentos que apoiam a organização
 1. Sobrevivência Diretor de Crise/Contador: busca do lucro e do valor do acionista.

O foco principal nos níveis inferiores de consciência da liderança está na criação de uma organização financeiramente estável, com uma forte base de clientes, e que tenha sistemas e processos eficientes. É nestes níveis que se localizam os chefes e gerentes – podemos dizer que um “chefe” é um gerente que tem dificuldades de confiar nas pessoas, tornando-se então autoritário e centralizador. O gerente com foco no desempenho, utiliza os seus conhecimentos e experiência para otimizar sistemas, processos e assim aumentar a rentabilidade da empresa. O gerente com foco nas pessoas acredita que criando um ambiente de trabalho harmonioso, criará o mesmo resultado. Gerentes com foco apenas na lucratividade tendem a se tornar “chefes”, pois acreditam que apenas controlando e pressionado as pessoas, irão atingir os resultados financeiros desejados.

Nestes níveis encontramos os líderes transacionais, focados em manter o fluxo normal de funcionamento da organização. Eles usam o poder para disciplinar suas equipes e criam incentivos tangíveis para motivar seus funcionários a desempenhar no máximo. A palavra transacional usada aqui significa que este tipo de líder motiva seus subordinados “trocando” recompensas por desempenho. Líderes transacionais não são na verdade líderes – eles funcionam como chefes ou gerentes.

A verdadeira liderança começa quando o indivíduo alcança o nível de transformação, isto é, a capacidade de gerenciar seus medos ou comportamentos reativos. Este novo nível de confiança capacita o líder a criar um clima de aprendizagem contínua e fortalecer o poder pessoal do funcionário -“empowerment”- para que assim a organização consiga responder e se adaptar às mudanças internas e externas. Em outras palavras, a autoconfiança, a confiança no outro e a capacidade de adaptação estão sempre juntas.

Ao investir em seu desenvolvimento pessoal, o líder pode evoluir para os níveis superiores de consciência da liderança. Na medida em que ele se alinha com sua missão, visão e valores pessoais, ele é capaz de contribuir para a criação de uma missão, visão e valores para a sua organização. Isso é chamado de coesão interna – um alinhamento entre o que se acredita (crenças e valores), e o que se faz (comportamento) – e uma clareza de missão ou propósito que cria significado no trabalho. Líderes com estas características podem sentir o chamado para dar um ultimo passo na evolução de sua liderança – focar na coesão externa. Eles sentem o desejo de criar alianças estratégicas com pessoas e organizações que tenham valores e propósito similares aos seus para poderem fazer a diferença no mundo.

Líderes com estas características também são chamados de transformacionais – eles vão além do gerenciamento cotidiano das operações e buscam criar estratégias, reforçar relacionamentos e criar alinhamento em todos os níveis da organização. Eles incentivam a colaboração e o trabalho em equipe para alcançar resultados superiores. Eles criam um ambiente de confiança no qual as pessoas possam aprender e se desenvolver para alcançar níveis altos de desempenho.

Sabia mais sobre os 7 níveis de consciência:

Formulário de Autoavaliação da Liderança

Os Sete Níveis de Consciência

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