Por que estou me sentindo tão desmotivado?

 

Muitas pessoas me perguntam: porque estou me sentindo tão desmotivado (a)? A resposta é simples – porque você colocou-se em ultimo lugar na sua lista de prioridades!

Para muitos a resposta pode ser chocante, mas é o que observo no dia-a-dia dos meus clientes. Para apoiar esta afirmação eu peço para que eles façam um exercício bastante simples – que olhem para a agenda de sua semana e vejam quantas horas eles alocam para as seguintes atividades:

  • carreira/atividade profissional
  • finanças;
  • saúde/bem-estar;
  • relacionamentos/família;
  • vida social;
  • autodesenvolvimento;
  • expressão criativa.

A maioria coloca uma grande ênfase nas duas primeiras atividades – carreira/atividade profissional e segurança financeira – e um tempo cada vez menor nas outras atividades, geralmente alocado nos finais de semana.

Mesmo o tempo dedicado a si e aos relacionamentos é mais focado em distrair-se das tensões e angústias do cotidiano, do que para refletir e compreender o momento atual de vida. O que significa que quase nenhum – ou na maioria dos casos – nenhum tempo de qualidade é investido na relação mais importante que existe – a relação entre você e você mesmo. Mas é justamente esta relação, a mais intima de todas, que permite que você possa compreender o que é importante para si mesmo, quais são suas forças e deficiências, suas paixões ou interesses principais e o que quer fazer com a própria vida.

Mas a pressão coletiva por busca de resultados, sucesso material, por fazer parte do grupo, ou simplesmente sobreviver, é tão grande que a ideia de dedicar tempo de qualidade para si mesmo parece ser uma perda de tempo ou uma atividade reservada apenas para os privilegiados – aqueles que já estão com “a vida ganha”. Por trás desta mentalidade estão algumas crenças coletivas que pude identificar nos últimos anos:

  1. Colocar-se em primeiro lugar é egoísta – em relação a esta crença as pessoas geralmente comentam – “veja quanto sofrimento existe no mundo – como eu posso parar e olhar para mim quando existem tantos problemas para resolver, tantas pessoas precisando de minha ajuda”. E o resultado é que a pessoa que pensa assim se torna, sem perceber, mais um foco de sofrimento no mundo. Pois sem refletir, as pessoas geralmente tomam decisões que aumentam o sofrimento no mundo, ao invés de diminuir. Mas aqui é importante discernir entre “colocar-se em primeiro lugar” e “colocar o seu ego em primeiro lugar”. Quando o seu objetivo é ser o mais importante, ganhar muito dinheiro ou ser aceito e reconhecido pelos outros, não importando os meios para alcança-los, você estará colocando o seu ego em primeiro lugar. O que significa que você esqueceu de si mesmo, dos seus valores mais importantes, de quem você realmente é;
  2. Colocar-se em primeiro lugar é perigoso (mundo externo) – em relação a esta crença as pessoas geralmente comentam: “se eu dedicar tempo de qualidade para mim mesmo poderei ser visto como relapso ou desinteressado com o trabalho e família. No primeiro caso posso perder uma promoção ou ser despedido; no segundo rejeitado. Não posso correr este risco. Só vou poder dedicar tempo para mim mesmo quando estas questões estiverem resolvidas”. Obviamente, este momento nunca chega;
  3. Colocar-se em primeiro lugar é perigoso (mundo interno) – em relação a esta crença as pessoas geralmente comentam: “eu tenho medo de ficar comigo. Posso descobrir algo que não goste sobre mim mesmo, ou alguma experiencia do passado que quero esquecer. Além disso, não fazer nada – apenas estar comigo – é muito entediante. Prefiro me distrair ou me dedicar a alguma atividade”. Realmente, num primeiro momento, ficar consigo mesmo é bastante desafiador. Depois de anos evitando de todas as maneiras a conexão consigo mesmo, buscando de forma contínua distrações ou atividades no mundo externo, a qualidade da relação que a pessoa tem consigo mesma é bastante ruim. É semelhante ao fato de deixar uma casa fechada e abandonada por muito tempo e ao abri-la, descobrir uma visão desoladora.

Mas todos estes desafios podem ser vencidos por aqueles que já desenvolveram um mínimo de perseverança, coragem e humildade. Que descobriram que se colocar em primeiro lugar não é um luxo mas, no mundo atual, uma condição absolutamente necessária para criar uma vida que valha a pena.

Para apoiar as pessoas neste processo tenho desenvolvido um programa de desenvolvimento de liderança chamado “Autoliderança”[1]. Nele, o líder é convidado a olhar para si mesmo e refletir sobre as seguintes questões:

  • Quais os momentos mais importantes do passado – onde você esteve – e qual a sua realidade atual – onde você está agora?
  • Quais as suas possibilidades de futuro? Quem você pode se tornar e para onde você quer ir?
  • Qual a sua realidade e os desafios que você precisa vencer?
  • Como você gerencia a sua realidade atual e quais os resultados que precisa alcançar para realizar seu propósito de vida?

Com base nesta reflexão muitos profissionais começam a descobrir que as escolhas de vida realizadas no passado não se alinham mais com os desejos, motivações e interesses atuais. Estas pessoas estão se preparando para começar um novo capítulo em suas vidas, que tenha mais significado, paixão e autorealização. Elas querem expressar seus talentos e fazer a diferença no mundo.

 

[1] Com base na metodologia de desenvolvimento de liderança criada por Richard Barrett, chamada O Novo Paradigma da Liderança.

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