Origem do Modelo dos Sete Níveis de Consciência

 

Abraham Maslow foi um dos primeiros psicólogos a chamar a nossa atenção para a correlação entre motivação e necessidades humanas. Nos livros “Motivação e Personalidade” e “Em Direção a uma Psicologia do Ser” Maslow propôs que os seres humanos funcionam com base numa hierarquia de necessidades. A primeira necessidade humana é a sobrevivência. Quando somos capazes de ter domínio sobre a sobrevivência, nós mudamos o nosso foco de consciência para estabelecer relacionamentos que nos fazem sentir seguros. Quando somos capazes de dominar arte de estabelecer relacionamentos, nós mudamos nosso foco de consciência para satisfazer nossas necessidades de autoestima. Quando somos capazes de sentir um forte sentido de valor pessoal, nós alteramos o foco de nossa consciência para a autorealização – nos libertando dos medos que nos impedem de tornarmo-nos seres humanos viáveis e independentes. Durante o processo de autorealização aprendemos a nos libertar dos medos que nos mantêm atados aos nossos laços de dependência. Esse é o estado de consciência que eu chamei de transformação. O processo de transformação corresponde aquilo que Carl Jung chamou de individuação, e aquilo que Roberto Assagioli cunhou de psicossíntese.

No livro “Libertando a Alma da Empresa”, eu propus que as categorias de necessidades de Maslow representassem estados de consciência, e que o estado de consciência que Maslow cunhou de autorealização pudesse ser expandido para incluir quatro estágios de desenvolvimento distintos de consciência de alma ou percepção espiritual – transformação, coesão interna, inclusão dos outros e unidade. Assim, eu fui capaz de identificar os sete estados ou níveis de consciência que, de forma conjunta, explicam as forças motivadoras de todas as interações humanas.

A partir de uma perspectiva psicológica, os três primeiros estágios no desenvolvimento da consciência humana representam estágios na emergência e desenvolvimento do ego humano, e os três estágios finais representam estágios na emergência e desenvolvimento da alma humana. Entre o último estágio no desenvolvimento do ego humano e o primeiro estágio no desenvolvimento da alma humana encontra-se o quarto estágio no desenvolvimento da consciência humana (transformação). Esse é o estágio em que o indivíduo aprende a se libertar dos medos subconscientes e conscientes do ego, de maneira que ele possa se unir de forma harmoniosa com a alma.

As forças motivadoras que correspondem aos três primeiros estágios na emergência e desenvolvimento do ego humano são:

  • Sobrevivência física – satisfazer as necessidades fisiológicas básicas de maneira que a pessoa consiga sobreviver mais um dia.
  • Relacionamentos – satisfazer as necessidades emocionais básicas de amor e pertencimento de maneira que a pessoa se sinta segura e protegida.
  •  Autoestima – satisfazer as necessidades emocionais básicas de respeito de maneira que a pessoa consiga se sentir como tendo um valor próprio.

Sob o ponto de vista do ego, esses três tipos de necessidades estão baseados na dependência. Nós as satisfazemos tentando obter o que necessitamos do mundo externo.

As forças motivadoras que correspondem aos três primeiros estágios na evolução da alma humana são:

  • Coesão interna – significa encontrar significado na vida ao se descobrir e integrar as motivações da alma.
  • Fazer a diferença – colocar em ação as motivações da alma fazendo a diferença na vida das pessoas ou da comunidade através da expressão de nossos talentos.
  • Servir – quando fazer a diferença se torna um modo de vida permanente nós entramos no caminho do servir desinteressado.

Na medida em que as necessidades do ego permanecem insatisfeitas ele não consegue se alinhar com as motivações da alma. O ego precisa se libertar de seus medos antes que ele possa se unificar com a alma. O campo de energia que é criado pelos nossos medos não é compatível com o campo de energia da alma. O campo de energia do medo tem uma frequência de vibração muito mais baixa que o campo de energia da confiança (ou amor). O processo de aprender a alinhar as necessidades do ego com as necessidades da alma é chamado de transformação pessoal. O processo de transformação envolve abrir mão dos medos relacionados à não ter o suficiente, não se sentir seguro e não se sentir respeitado. Nós mudamos de uma referência do objeto para uma referência centrada no sujeito. Durante o processo de transformação aprendemos a buscar a satisfação de nossas necessidades não de fontes externas, mas de fontes internas.

Uma das fontes de conflitos mais frequentes que encontramos na relação entre o ego e a alma tem relação com o trabalho. É o conflito entre a sobrevivência e a autoestima, por um lado, e o significado e fazer a diferença por outro.

Muitas pessoas, por vários motivos, encontram-se em posições ou empregos que fornecem a elas uma vida decente, mas sem significado. Elas só pensam em se aposentar. Sem ter se dado conta, elas escolheram gratificar o ego ao invés da alma. Frequentemente, a compreensão de que estão em empregos ou profissões erradas aparece quando a pessoa está envolvida com altos compromissos financeiros, tais como hipotecas ou mensalidades escolares. A ideia de deixar uma carreira escolhida para fazer algo apaixonante e que envolva a utilização completa dos talentos é considerada muito amedrontadora. Essas pessoas acreditam que terão que sacrificar o seu estilo de vida para fazer o que mais gostam. O processo de resolver esses medos é chamado de transformação pessoal.

O processo de transformação pessoal não é um evento único. É uma série contínua de confrontos entre as necessidades geradas pelas crenças subconscientes do ego centradas no medo e as necessidades da alma. A cada confronto a pessoa precisa aprender a unificar as necessidades do ego com as da alma. Enquanto o ego é rígido, dominante e quer controlar, a alma é suave, paciente e flexível, e procura o significado e a conexão. Geralmente a alma não subjuga o ego. Ela faz sentir a sua presença através de meios sutis.

Quando as necessidades da alma são ignoradas por um longo período de tempo, segue-se a depressão e a doença física. Reações contínuas de raiva e descontrole emocional são sinais evidentes de que o ego está fora de alinhamento com a alma, e ainda se prende a crenças não resolvidas centradas no medo. O processo de realinhamento, em geral, não é confortável. A pessoa precisa confrontar e ultrapassar os medos do ego. Isso requer coragem e uma vontade de lidar com questões não resolvidas do passado que estão na origem das crenças centradas no medo. O desconforto do passado está ligado a uma memória que foi gerada por um estado não resolvido de estabilidade interna e equilíbrio externo que experimentamos nos anos de formação da personalidade.

Richard Barrett

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