Como Lidar Com Um Chefe Difícil

Uma pesquisa do instituto Gallup apontou que 66% das pessoas que pedem demissão tomam esta atitude por causa do chefe e não da empresa. Muitas pessoas assumem posições de liderança sem terem desenvolvido as habilidades de relacionamento, necessárias para poderem exercer de forma adequada suas funções. Por exemplo, não sabem ouvir e valorizar as opiniões dos outros, são incapazes de reconhecer um bom trabalho, dão respostas ao invés de fazer perguntas. Outras estão presas a crenças ultrapassadas (medos do passado) que as impedem de ver a sua equipe de uma forma positiva – acreditam que estão sendo enganadas, passadas para trás, ou que todos são incompetentes, etc.

Trabalhar diariamente sob a supervisão de líderes com este perfil pode ser muito desafiador, o que pode gerar estresse, desmotivação e mesmo depressão. Embora a primeira reação seja a de se distanciar desta pessoa – seja mudando de área ou de empresa – existe a possibilidade de usar esta relação para o próprio desenvolvimento. Se você optar pela segunda opção, veja abaixo o que você pode fazer:

Passo 1 – verifique se a maneira como você percebe o seu chefe é compartilhada de alguma maneira por outras pessoas da sua equipe. Se for, significa que a sua percepção é possivelmente correta – neste caso vá para o passo 2. Se não houver alinhamento, é muito provável que você tenha criado uma percepção ou imagem distorcida do seu superior. Neste caso você não está se relacionando com ele – a pessoa real – mas com a imagem ou história que você criou sobre ele. Esta distorção é o que está gerando o conflito e as dificuldades neste relacionamento – neste caso vá para o passo 3;

Passo 2 – lembre-se de que ele não permanecerá neste cargo para sempre. É até possível que você seja promovido para a posição que ele ocupa hoje. Reflita: você faria diferente se estivesse nesta posição? Escreva o que você faria?  De que forma o seu estilo seria diferente daquele demonstrado por ele? E o que você pode aprender com o estilo dele?  Afinal, todo mundo tem aspectos ou qualidades positivas;

Passo 3 – se você percebe apenas os defeitos do seu chefe, é bem provável que estes defeitos também sejam seus. Tenha coragem! Olhe para dentro de si e procure identificar “a lista de defeitos” do chefe em você. Este é um exercício bastante desafiador, mas também muito libertador. Ao final, você pode descobrir que seu chefe não é “tão ruim assim”. Neste caso agradeça a ele por ter sido um bom espelho para você e não se coloque para baixo ou se critique. Nós estamos aqui neste mundo – e a sua empresa faz parte dele- para aprender. Todas as pessoas com as quais você trabalha têm algo a lhe ensinar – seja um potencial que você ainda não colocou em prática, seja um defeito que ainda não foi reconhecido por você e transformado no seu oposto, uma qualidade.    

Passo 4 – verifique se você tem orgulho de trabalhar nesta empresa, se a sua missão e valores estão alinhados com a missão e valores da empresa. Se estiverem alinhados, a relação com o seu chefe vai ser mais fácil de levar, pois neste caso você tem uma força de inspiração e motivação que lhe conecta com a empresa e com aquilo que ela faz. Se não estão alinhados, o pesadelo é duplo – você não gosta da empresa e do seu trabalho, nem do seu superior. Você continua lá apenas pelo salário. Sugestão: é melhor você ir para casa e pensar no que realmente quer fazer da vida.

Para compreender que o tema “chefe difícil” se enquadra dentro de um processo de evolução pessoal e da liderança, nós falamos no vídeo anterior sobre a crise de liderança e o modelo dos Sete Níveis de Consciência da Liderança desenvolvidos por Richard Barrett.  De acordo com este modelo os três primeiros níveis de liderança focam nas necessidades básicas da empresa que ele lidera, apresentando tanto aspectos positivos quanto limitantes. Quando olhamos para as características limitantes, observamos claramente os diferentes padrões de comportamento dos diversos tipos de “chefes difíceis”.

Abaixo estão descritas as dimensões limitantes dos três primeiros níveis de consciência da liderança, para que você possa compreender a partir de que nível de consciência o seu chefe funciona, e quais os medos que dominam o seu comportamento. Essa compreensão pode diminuir o seu desconforto, pois ficará claro que as dificuldades que você enfrenta nesta relação não são “pessoais” – outras pessoas na sua posição sofreriam as mesmas dificuldades.

Porém, o mais importante é que se você se identificar com algumas das palavras ou frases abaixo, compreenderá em que áreas ou temas você e seu superior se “engancham”, e qual a razão de não conseguirem sair do conflito. Isso significa que o seu trabalho de autodesenvolvimento ainda não terminou – mãos a obra!

Nível 1: O Diretor de Crises

Foco Limitante – quando os líderes funcionam de forma autoritária constantemente, eles rapidamente perdem a confiança e o comprometimento dos funcionários. Muitas vezes os líderes agem de forma ditatorial para obter o que querem, porque têm dificuldade para se relacionar com as pessoas de uma forma aberta e efetiva. Líderes autoritários não estão acostumados a pedir – eles se sentem mais confortáveis dando ordens. Quanto maiores os seus medos existenciais, maior a aversão a riscos.

Eles tendem a fica com raiva facilmente e são incapazes de discutir emoções. Eles reprimem seus sentimentos e escondem quem eles realmente são atrás de suas posições de autoridade. São pessoas muito solitárias. Quando se sentem inseguros em relação a dinheiro, irão explorar os outros para seu próprio benefício. Eles são gananciosos mesmo na abundância, e nenhum resultado financeiro os satisfaz. Eles estão sempre pressionando os limites daquilo que é possível. Focam apenas nos resultados de curto-prazo. Autoritários dirigidos pelo medo criam um clima de trabalho emocionalmente insalubre. Eles raramente relaxam, são exigentes e impacientes. Esses líderes são consumidos pelo estado de ansiedade gerado pelos seus próprios medos subconscientes relacionados à sobrevivência.

Nível 2: O Gerente de Relacionamento

Foco Limitante – quando estes líderes sustentam medos subconscientes de não pertencimento, reagem não lidando com suas emoções ou as dos outros. Eles evitam conflitos, não são verdadeiros em sua comunicação interpessoal e utilizam a manipulação para obter o que querem. Eles tendem a mascarar suas verdadeiras emoções utilizando o humor, ou protegem a si mesmos culpando os outros quando as coisas dão errado. Gerentes de relacionamento geralmente protegem a sua equipe, mas exigem em troca lealdade, disciplina e obediência. Eles facilmente apoiam a tradição e muitas vezes funcionam como paternalistas. Paternalistas têm dificuldade para confiar naqueles que não são parte da “família”. Eles guardam segredos e se envolvem em “política por baixo do pano”. Eles ficam quites utilizando a vingança. Se forem fundadores de uma empresa familiar, a falta de confiança em pessoas de fora pode limitar profundamente o contingente de pessoas talentosas que a organização pode contratar. Paternalistas exigirem obediência e limitam o espírito empreendedor dos funcionários.

Nível 3: O Gerente Organizador

Foco Limitante – quando as necessidades de autoestima dos gerentes são dirigidas por medos subconscientes, eles buscam obsessivamente o poder, a autoridade e o reconhecimento. Criam silos para demonstrar o seu poder, ou reforçam burocracias e hierarquias para demonstrar autoridade. Buscam resultado a todo custo, e competem com seus colegas para alcançar o topo e assim ganhar status ou reconhecimento de seus pares ou superiores. Eles têm orgulho do resultado que alcançam, e tendem a falar destes de forma aberta e contínua. Demonstram sinais de arrogância e tendem a participar de jogos políticos para obter o que querem. Eles sonham ter uma casa imponente, tornarem-se sócios do clube mais sofisticado ou dirigirem o carro mais exclusivo ou chamativo – querem demonstrar que “chegaram lá”. Definem suas autoestimas com base em suas posses materiais. Eles são meticulosos com os seus guarda-roupas, e se preocupam mais com as aparências do que como realmente estão. A imagem é tudo para eles. A autoestima deste líder está baseada no trabalho. Consequentemente, eles tendem a trabalhar excessivamente e negligenciar suas famílias. Eles vivem de forma não saudável por estarem fora de equilíbrio. O trabalho os consome porque é nele que eles encontram a autoestima.

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