ARTIGO PARA A REVISTA COACHING BRASIL

Autoliderança: Aprenda a Dominar  Seus Padrões Mentais e Emocionais

No livro “O Novo Paradigma da Liderança” *, Richard Barrett, uma das maiores autoridades em transformação cultural e desenvolvimento da liderança da atualidade, lança as bases para um programa de desenvolvimento da liderança, que leva em conta os desafios do mundo dos negócios do século XXI. Neste livro, ele delineia o modelo dos Sete Níveis de Consciência da Liderança, um mapa da evolução do desenvolvimento integral da liderança, que inclui três estágios principais:

Domínio Pessoal – a habilidade de manter a estabilidade interna em momentos de conflito ou estresse. Ao alcançar o domínio pessoal, você será capaz de satisfazer suas necessidades básicas e aprenderá como se tornar viável e independente em suas circunstâncias de vida;

Coesão Interna – a capacidade de alinhar seus comportamentos com os valores e crenças que são mais importantes para você. Ao desenvolver a coesão interna, você é capaz de “fazer o que fala”. Isso permite que você expresse seus valores e propósito em tudo o que faz;

Coesão Externa – a habilidade de trabalhar com pessoas e organizações que funcionam de acordo com um conjunto de valores e propósito similares aos seus, para que você possa fazer a diferença no mundo.

No processo de desenvolver o primeiro estágio de desenvolvimento da liderança – domínio pessoal -, você aprende como gerenciar as crenças baseadas no medo relacionadas a não ser capaz de satisfazer as necessidades básicas. Esses medos, conjuntamente com suas necessidades não satisfeitas, são a origem de suas ansiedades, estresse e desapontamento emocional, e os conflitos que você tem com outras pessoas.

O propósito do domínio pessoal é ajudá-lo a retornar a um estado de equilíbrio sempre que estiver sentindo alguma forma de desapontamento emocional, ansiedade ou estresse, além de reduzir a frequência e a severidade destas experiências.

A chave para o domínio pessoal é a capacidade de reconhecer, nomear e se responsabilizar pelos seus medos conscientes e subconscientes. O domínio pessoal envolve quatro estágios:

Incompetência Inconsciente – neste estágio, você ainda não sabe quais são seus medos e o impacto que eles têm sobre suas decisões. Você descobre seus medos através do feedback de outras pessoas ou da capacidade de auto-observação;

Incompetência Consciente – neste estágio, você sabe quais são seus medos, mas não sabe como transformá-los. Os passos do domínio pessoal que iremos descrever neste artigo têm este objetivo;

Competência Consciente – durante o período em que você está aprendendo a aplicar a metodologia dos passos do domínio pessoal, está buscando ser uma pessoa menos reativa, mas ainda não dominou completamente estas habilidades;

Competência Inconsciente – no último estágio, você é capaz de lidar com qualquer situação conflituosa ou estressante sem se deixar dominar por suas crenças baseadas no medo.

O Processo de Domínio Pessoal

O processo consiste de oito passos necessários para que você seja capaz de aprender a gerenciar ou dominar seus medos conscientes e subconscientes e está descrito, de forma resumida, abaixo:

Passo 1 – Libere suas emoções – crie uma pausa para dissipar qualquer dor física ou energia emocional bloqueada;

Passo 2 – Ative o auto-observador – desenvolva a capacidade de observar a si mesmo de uma forma desapegada, enquanto testemunha neutra do seu mundo interno;

Passo 3 – Identifique seus sentimentos – nomeie os sentimentos e emoções que emergem no momento desafiador, e se possível escreva-os;

Passo 4 – Identifique seus pensamentos – note os pensamentos que estão passando pela sua mente, especialmente os julgamentos que você faz sobre outras pessoas, situações ou em relação a si mesmo;

Passo 5 – Identifique seus medos – identifique quais são os medos por trás de seus pensamentos e julgamentos. Quais as histórias que eles criam em sua mente?;

Passo 6 – Identifique suas necessidades – que necessidades não estão sendo satisfeitas? Conjuntamente com os medos, as necessidades não satisfeitas são a origem do seu estresse e o conflito que você sente;

Passo 7 – Identifique a crença limitante – identifique qual o pensamento ou crença limitante que cria e, ao mesmo tempo, reforça seus medos e necessidades não atendidas;

Passo 8 – Investigue a crença limitante – investigue de que maneira as suas crenças e pensamentos estressantes distorcem a sua relação com a realidade, avaliando os seus impactos.

Entre todos os oito passos do domínio pessoal, provavelmente os mais difíceis de serem reconhecidos e trabalhados são os dois últimos – identificar e investigar a crença limitante. Isto se deve ao fato de que, durante grande parte de nossa vida, aprendemos a nos identificar, de forma não consciente, com nossas crenças. Acreditamos que elas estão trabalhando a nosso favor e, consequentemente, as defendemos de todas as maneiras.

O que Richard Barrett descobriu é que todos os comportamentos reativos nascem de três grupos básicos de crenças limitantes, que têm base nos medos subjacentes à satisfação de nossas necessidades básicas:

  • Eu não tenho suficiente segurança/proteção/dinheiro para satisfazer minhas necessidades de sobrevivência e segurança em relação ao trabalho. Essa crença se torna preponderante em sua vida se você experimentou falta de proteção em sua infância. Pessoas identificadas com esta crença tendem a se comportar de forma extremamente controladora e autoritária;
  • Eu não tenho suficiente amizade/atenção/conexão/amor/cuidado/pertencimento para satisfazer minhas necessidades de amor e pertencimento em relação ao trabalho. Essa crença se torna preponderante em sua vida se você experimentou falta de amor ou atenção em sua infância. Pessoas identificadas com esta crença sentem necessidade de pertencimento e de serem gostadas pelos outros;
  • Eu não tenho suficiente sucesso/atingir objetivos/reconhecimento/encorajamento/status/poder/respeito para satisfazer minhas necessidades de respeito e reconhecimento em relação ao trabalho. Essa crença se torna preponderante em sua vida se você experimentou uma falta de valorização em sua infância. Pessoas identificadas com esta crença sentem necessidade de reconhecimento e valorizam o status/posição.

Todas as crenças limitantes ou disfuncionais que carregamos em nosso subconsciente são uma versão de uma ou mais das crenças básicas descritas acima.

Uma vez reconhecida a crença que alimenta ou apoia determinado comportamento reativo, o próximo passo é transformá-la. Uma das melhores metodologias para este fim é chamada “O Trabalho”, e foi criado pela norte-americana Byron Katie**. Durante um período de intenso sofrimento pessoal, ela descobriu, de forma espontânea, que sempre que acreditava em seus pensamentos estressantes, ela sofria, e quando não acreditava, não sofria. Ela descobriu que o sofrimento emocional é opcional.

O método “O Trabalho” é baseado em quatro perguntas e uma “reversão”. Você começa a aplicação do método identificando um pensamento ou crença que gera estresse. As quatro perguntas principais são:

  • Esse pensamento/crença é verdadeiro?
  • Você pode ter absoluta certeza de que ele é verdadeiro?
  • Como você reage? O que acontece quando você acredita que esse pensamento/crença é verdadeiro?
  • Quem você seria/como seria a sua vida sem esse pensamento/ crença?

Por exemplo, se você pensa com frequência nos momentos difíceis – “eu sou incompetente” – pergunte-se: Isso é uma verdade? Você pode ter absoluta certeza de que isso é uma verdade? Estas perguntas ajudam você a investigar quão identificado você está com este pensamento/crença, e de que maneira ele tornou-se parte de sua identidade.

A próxima pergunta – Como você reage? O que acontece quando você acredita que esse pensamento/crença é verdadeiro? – revela as consequências da sua identificação com esta crença limitante. Em geral, as pessoas que trabalham esta crença respondem – “tento mostrar que a crença não é verdadeira exigindo mais de mim e das outras pessoas”, ou “tendo a me desmotivar e diminuir minhas expectativas”.

A última pergunta – quem você seria/ como seria a sua vida sem esse pensamento/crença? – convida você a visualizar como seria viver/quais as possibilidades que emergem quando você não está dominado por ela. Ao fazermos esta pergunta, as pessoas geralmente respondem – “seria livre para inovar, criar e buscar novas opções”; “seria mais feliz e realizado no meu trabalho”; “seria mais gentil comigo e com as outras pessoas”; “interpretaria problemas e dificuldades como oportunidades de aprendizagem e crescimento”, etc.

Por último, a reversão pede que você escreva uma frase que tenha o sentido oposto da crença inicial – neste caso, “eu sou competente” – e que encontre três exemplos reais. Este último passo permite que você reconheça a realidade e fortalece a sua capacidade de encarar a crença na próxima vez em que ela emergir.

Investigar e questionar suas crenças limitantes é provavelmente o trabalho interior mais importante para você se libertar de seus medos e comportamentos reativos, tornando-se uma pessoa autêntica, livre de condicionamentos familiares e culturais restritivos. Esse processo é a base para o processo de transformação ou individuação, necessário para que você possa descobrir e viver a sua verdadeira liderança.

* O Novo Paradigma da Liderança. Richard Barrett. Qualitymark.

** Ame a Realidade: Quatro Perguntas Que Podem Mudar a Sua Vida. Byron Katie. Bestseller.

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